Publicado no PROVOCARE"Não é suficiente ensinar ao homem uma especialidade. É essencial que ele tenha uma compreensão e um sentimento vivo em relação aos valores..(...)"Albert Eistein,1952, "New York Times"
Não me venham com panos quentes e não me apontem uma arma na cabeça. Esqueçam! Eu não votei nem pelo Sim, nem pelo Não, nem pelo Mais ou Menos. Também não negligenciei meu papel de cidadã...me justifiquei. Mas não justifiquei como realmente gostaria, apenas preenchi um papel com meus dados, confirmando que eu estava léguas do meu colégio eleitoral (aliás, meu colégio de verdade por bons 11 anos).
Na edição passada, uma criança com uma arminha de brinquedo soltava bolinhas de sabão, para , mais uma vez, justificar outro papel. O papel de imprensa, que presta serviços ao avisar ao cidadão que ele tinha obrigação no belo e ensolarado Domingo do dia 23. Entre embates e debates com o próprio povo do jornal, acabamos decidindo pela singela menina....inofensiva. Nenhuma apologia ao Sim – em coro aos artistas globais. Também nem ao Não! Contrários aos nossos colegas "fodões" da dita (cuja) "grande imprensa", não prestamos serviços para nenhum lado, Não daquele lado, não daquelas apenas duas opções, A La Mengele nos campos, decidindo o final fantástico de cada um, dependendo do lado apontado, neste caso, teclado.
N.D.A . Para mim, nenhuma das alternativas. E tem justificativa sim! Não aquela lá, do nominho no canhoto....Eu, quando criança, nunca tive, sequer, uma metralhadora de água da Estrela...nada. Mais uma vez eu vou culpar Papai por mais esta censura. Nem para nós meninas, (somos em três), tão pouco para o meu Macho irmão, foi concedido o porte de arminhas de brinquedo. Ele tinha justificativa também, claro. Para meu Pai, a familiarização com as armas nos deixariam mais propensos a não temê-las. Tem até fundamento, mais não tem muito esclarecimento na tese, talvez se ele tivesse vivido mais, poderia ter trabalhado melhor na conclusão.
Eu acho um charme quem sabe manusear uma arma, no meu fetichístico conceito faroéstico de virilidade, claro.
Considerando que tenho coordenação motora de uma criança que fugiu das séries primárias de formação, a noção tempo-espaço com 3 horas de atraso e força nos braços de uma levantadora de copos (americano, porque são mais leves), manusear uma arma requereria de mim, o dobro do esforço das pessoas normais. Mas também não chega a ser minha meta para 2006.
Enfim, falei, falei e não cheguei aonde queria, a tal da justificativa, já que eu não engoli muito aquela história de papelzinho.
Parece piada, me senti ridicularizada e subestimada quanto a minha capacidade intelectual, ou mesmo de discernimento. Jogar em mim a responsabilidade quanto a uma escolha tão idiota, entre um SIM, que parecia bacana, politicamente correto e engajado...mas que já existe e é lei, ou um Não, que, bizarrices às favas, não faz diferença alguma. Tem um puta comércio que enriquece, quem mais compra armas são os ilegais mesmo, o bandido é anos-luz mais armado que o Estado que nos protege, acidente com arma de fogo mata muito mesmo, assim como faca, pedaços de vidro, a merda do meu cigarro,porrada, Pit-Bull...E aí. No que altera o meu voto consciente e cidadão entre Não e Sim. Na minha modesta opinião, só uma coisa, agora os culpados pelos elevados índices de crimes com armas de fogo é culpa de alguém ai que votou Não e o Não ganhou. Eles te incitaram para dividir a culpa. Para mim, é o que há. Se não for para repartir a culpa de políticas sociais mal estruturadas, só pode ser para grifar naqueles livros didáticos de História Moderna e Contemporânea, "Mais um ato cívico, resultado de uma democracia forte e sustentável" .Pôr que, cá pra nós, incrível como neste país democracia é sinônimo de eleição, plebiscitos, referendos e impeachments...
Não consegui vislumbrar a mudança no meu país a partir do meu voto do Sim – que negava e do Não liberal, tão confuso quanto a explicação da importância do ato. A mudança, ao meu ver começa lá na educação, é lá na base, é lá no salário-incentivo aos professores, nos cursos de formação e capacitação aos docentes mais decentes, com conteúdo para que eles não durmam durante a apresentação cafona daqueles Power Point, lá nas crianças na escola e não nos faróis, nas roças, nos engenhos, nos motéis de beira de estrada. É lá na infra-estrutura desta família, na água encanada, na luz e, pelo amor de todos os narizes e anti-corpos, no esgoto. No abatimento de impostos para as empresas com projetos bacanas de responsabilidade social, com projetos sociais que não tenham caixa 2, com hospital, com maca e com vacina pra gente, não só pra gado, com médicos humanistas, com uma política de inclusão eficiente, com plataformas de acesso aos deficientes em lugares públicos, com conteúdos de informação em Braille, com incentivo a cultura, com valorização do Bumba, do Saci, do Xote, do Boto, da fabricação de lacticínios, de pinga curtida, de balas de banana, de panelas de barro e carrancas coloridas, com um concurso nacional da Literatura de Cordel, com atividades artísticas, educacionais, arroz e feijão, profissionalização e educação lá no morro, lá no asfalto, lá na beira do rio, lá no meio do sertão, no igarapé, na tenda, na Oca, na gruta, embaixo do viaduto... É isto, minha justificativa quanto a minha falta é que eu não acredito nesta novela "Pastelão" de cobrir a cabeça e deixar os pés de fora. Não é tirando as armas das mãos das criancinhas, como fazia meu Pai. É educando estas crianças, ensinando valores, história, física, música, esportes, para que ela, quando crescer, por mais que ache um "certo charme" certas coisas e tenha uns fetiches pra lá de piegas como eu, tenha discernimento quanto ao rumo que as coisas acabam por tomar. Para que ela possa Ter escolhas, mais amplas e mais contundentes, uma profissão, se quiser, Ter filhos, se quiser, possa trabalhar e ficar rica, ou, se quiser, possa ser jornalista...Ter sonhos, contas, Ter pátria, Ter direito, deveres e justificativas, claro! O problema desta luta não são as armas, mas o alvo!