Saturday, November 26, 2005

Chorões mesmo sem lágrimas



Imagem: Roda de Samba de Heitor dos Prazeres


Eu até te ensinaria, caso você não fosse tão sentimental. A gente precisa abstrair uns sentimentos as vezes, chorar menos para poder acumular um tanto de mágoas. Mas você se esvazia de uma forma que te deixa fraco. Sem forças....sem água
Tem um rio guardado dentro de mim, e se eu não me cortar, e sangrar e doer muito...ele vai ficar por anos, me enchendo e, vez ou outra, vertendo em cima deste teclado estúpido em forma de literatura burra, dura ou piegas. Você esconde os panos, você faz planos e quer fugir.
Eu finjo muito bem mesmo, eu fujo o olhar, invento outros alvos. Mas não, eu não vou esvaziar o que há em mim para saudar o novo que me pegou tão distraída enquanto ouvia Noel. Alguém rodopiava em sorriso fácil. Meu sorriso falso de contrair os dedos e mexer os cabelos era um prenúncio. Aquela mais outra engasgada cerveja gelada eu pedia pra te prender por uns instantes, pra eu aprender que mãos entrelaçadas não é tão bonito, e o ritmo na caixa de fósforo eu queimei com os palitos. Mas eu não vou cortar os pulsos, não vou contar os minutos nem conter o rouquidão...os chorões nesta noite fria de verão, me ensinaram umas frases de efeito. Não vai rolar nada baixo cílio...lágrima nenhuma...eu entôo em coro com os descontes, estas frases por entre os dentes...Enquanto você prende o seu em m sorriso bonito qualquer. Depois você chora um rio. Se afoga, me envolve... por instantes afundo também. Os chorões trazem Cartola. Pego mais duas no bar...como naufrago...salvo pela ressaca.

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