Saturday, November 05, 2005

Quase Editorial (quase romance)

Editorial de apresentação do PROVOCARE
Agosto-2005

Eu cresci entre os poetas malditos e os jornalistas maldosos. Entre as letras sinuosas, entre os Hemingways minuciosos. Entre as Zeldas loucas e as professoras que me pediam pontuação. Os Bukowiskis sacanas e os Taleses de grandes sacadas humanas. Entre o humor do Francis e o amor de Gabo, entre o cavalo que sorriu da Clarice e a Alice astuta de Wharoll. E a política de Gullar – singular/plural/Opinião – E a mítica de Caetano no seu Estrangeiro, no Estrangeiro de Camus. O balão do quase romance de Cony. Quase memória das amoras do vale de OVNIS de Hilda Hilst. E a embriagues exilada das noites dos malditos – benditos, bem-vindos... Todos!
A contestação ou a aquietação – que seja! Provocada, inspirada, restaurada – que seja! Pela arte, pela parte que mais te parte ou te constrói – que seja! É o recorte mais evidente no ser humano. Aquele que tange mais profundo, que faz aquele recorte necessário no cotidiano – para que ele valha caber numa canção do Chico. Para que suportemos fazer as nossas coisas. Visitar nosso caos. Contar nosso causo. Ler nosso Camus. Para que valha a pena. Eu acredito nisso – tanto que ao iniciar e inaugurar o editorial– exponho alguns laços da relação da interferência provocativa da arte, da cultura na minha vida. Assim – apresento o PROVOCARE – e faço uso das palavras de um dos grandes nomes do jornalismo no Brasil – Ulisses Capazzoli – para explicar o que quer dizer esta palavra:
"Na origem latina PROVOCARE, pode ser entendido literalmente como "fazer falar", equivalente a "fazer pensar". Ninguém fala criativamente sem pensar. Falar e pensar são ações indissociáveis – tanto quanto o tempo, no universo einsteiniano, não pode ser destacado do espaço. Falar-pensar e universo-tempo são, por isso, contínuos inseparáveis"(Ulisses Capazzoli)
Comprometido com a crítica social, com as questões artísticas, culturais, históricas e cotidianas – não necessariamente nesta ordem. Não apenas uma conquista do povo de Votorantin - um lugar onde a cultura caminha a passos largos - mas também de uma gama de artistas, jornalistas, intelectuais, formadores de opinião e público em geral carentes de publicações que discutam a sociedade, política, filosofia, arte e a cultura tanto local quanto num contexto mais abrangente.
O PROVOCARE nasce como espaço da discussão, da explanação despretensiosa, do dedo de prosa, da não burocratização editorial - e as favas os manuais de redação e estilo. As favas e as vaias da platéia que não crê em pré-estabelecidos, em pré -conceitos – as palmas e aos pés daqueles que ainda acreditam. Seja lá no que for, mas ainda conservam a grandeza daquilo que uns chamam de utopia, e que os responsáveis por este jornal preferem interpretar como esperança!
Falando em esperança – esta edição trás, além de artigos, resenhas e entrevistas – Histórias bem bacanas como a da Amanda e do Gelson, portadores de deficiência e duas figuras, cheios de talento e garra que se valeram da arte para encarar a vida com outras cores e sobre outras lentes. E se a arte é capaz de tanta mudança, de trazer a tona tanta esperança e possibilidade de uma vida melhor, porque então ela ainda não atinge todas as camadas da nossa sociedade? Questionamento este que nós fizemos e também reforçamos com artigos de especialistas e pedimos, para complementar, um parecer do cara responsável por tudo o que rola de arte e cultura em Votorantim – o Secretário de Cultura, Werinton Kermes, que mandou ver num artigo que a gente apresenta na íntegra. E, já que o assunto é FAZER PENSAR inclusão social pela arte, o PROVOCARE acompanhou todo o desenrolar de um projeto bem bacana, que movimentou a comunidade – seja pelas oficinas realizadas na escola, quanto pelas palestras e shows que selaram esta iniciativa onde o assunto foi o Hip-Hop e sua disseminação, mais latente, nas periferias. O projeto valeu um especial no jornal pelo seu contexto social, cultural e artístico, além, claro de trazer à tona a discussão de que o movimento nada tem a ver com a apologia a violência, muito pelo contrário, tudo sangue bom!
A arte - em suas diversas vertentes – foi explorada nesta edição de estréia. A data comemorativa ao dia do escritor – (25 de Julho) - foi resgatada no artigo do poeta gaúcho, tudo de bom, Fabrício Carpinejar e na homenagem a um grande escritor local, que aos trancos e barrancos faz da arte sua expressão mais simples e mais brilhante. Construtor de casas e de textos – Seu Paulo reconstrói uma Votorantim que ele ouve dos causos.
Quem entende a nossa cultura contextualizando suas diversas manifestações artísticas, vai se deleitar com a descoberta ou a confirmação do talento, inteligência e da cabeça bacana do nosso refém, digo, entrevistado. Prendemos o Cléber – do Trio Curupira num bate-papo pra lá de descontraído, sobre vários assuntos – não lineares, diga-se de passagem - com cara de papo de boteco mesmo!
No mais – ou sem mais no momento, a mim só resta dizer: Divirtam-se! Boa leitura!Tem muita coisa bacana, promoção, agenda, dicas, claro, e ainda a presença honrosa do elegante e galante "Tiozinho do Shopping" na nossa capa de estréia. Saravá!

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