Thursday, December 01, 2005

"Confraria dos arcanjos ao Ode aos decaídos"

Esta escancarada lucidez
Lúcifer anjo, de unhas pintadas.
A multidão de ovelhas segue hermética atrás do sol
A mulher que mora aí ascende da cor malte
Do escarlate das unhas roídas pelos dentes de esmalte neutro

Mora no para-peito do prédio central, estalactite!
A água morna do mar, de manhã, invade o corpo todo.
Como o líquido espesso e salobro do homem te invade em contrações de ondas.
Ornam-te miçangas e areias e raios rebeldes de alguma explosão estelar.

O borrão da maquiagem, cinzas pagãs.
É fria, fúnebre, fecunda...
Inaugura a solidão de gatos e a alegria de carnes sem definições sexuais
Na tortura, até a fria carne se contraí.
E atraí instintos antropofágicos...
A lua come o dia que come seu anel de saturno.
No vazio do salão escuro...Nem mais os dedos!

A sua tez trás tons de arquétipos Boccicelli
Nemamiah!Anjo!
A terra que se avista do porto solidão
Dos olhos escondidos entre as melenas.
Por medo! Por moda! Por cegueira!
Um ensaio sobre o rosto exótico atrás da fumaça menta.

Lúcifer, Lúcia Mc.Cartney, lua de São Jorge!
Shy moon sobre o sertão.
Sobre ser tão coerente eles todos!
Sobre ser tão indecente o tornozelo!
Sobre ser tão irregular seus hemisférios!

Quase anjo, demônio, mulher, Discovery.
Quase nave, ou um canal de Tv.
Profana e sagrada como a vaca das divinas tetas fêmeas e lactentes.
Ouvindo discos over...
Presa na antena, no tempo.
No homem do tempo que inaugura dia bom na previsão.

Lúcifer de unhas roídas
Anjo e garras disformes, enterradas subcutâneamente no tecido que irá romper com o tempo.
Como o vestido que abriu de lado
Como o tempo que fechou contrariando a previsão.

Agarra o pescoço, estúpida!
Crava as unhas, por posse!
Arranca um pedaço, pelo preço!
Invade com língua ávida e ácida, pelo gosto da palavra!
Respira, restituindo o sempre!
Desprende do para peito do prédio... Decai!

Encerra o pacto imortal pra inaugurar a morte que vem da boca.

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